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WORKSHOP - Futuros de incerteza, lugares de vulnerabilidade: Propósitos emergentes para a análise, o design e a ação multidisciplinar - Uma rede de conhecimento no âmbito da lusofonia

30 de Outubro, 11h00-17h30 (Alfandega do Porto, Sala 7)

Com o apoio do IRGC-Portugal e no âmbito do XV Congresso Latino-Iberoamericano de Gestão de Tecnologia, ALTEC 2013, "Políticas e Gestão de Ciência e Tecnologia"

Em parceria com o FUTUREPLACES, medialab para a cidadania, entre 28 de Outubro e 2 de Novembro, na Cidade do Porto (futureplaces.org)


O workshop tem por objectivo auscultar, clarificar e atribuir consequência à investigação aplicada perante as recentes e continuadas transformações de paradigmas socio-culturais. Propõe-se o mote "Futuros de incerteza, lugares de vulnerabilidade" na convicção de que a investigação aplicada em contextos de risco e ambivalência é, hoje, um imperativo.


Racional

Parte-se da evidência de que um mundo crescentemente complexo em termos sociais, tecnológicos e relacionais corresponde a um aumento exponencial da incerteza e da vulnerabilidade, e de que esta consciência de múltiplas dissonâncias e perplexidades é simultaneamente um convite à re-aprendizagem e re-avaliação do próprio processo de construção e apropriação do conhecimento.

A rede agora em formação abordará a apropriação social e a transferência de conhecimento, sobretudo em termos de situações que comportam riscos eles mesmos emergentes. Inclui no seu centro a necessidade de rever mapas comportamentais e de formação de atitudes, nomeadamente a ideia da "meta-cognição versus raciocínio intuitivo", quando observadas à luz de diferentes escalas de complexidade: estes processos poderão inclusivamente permitir a antevisão de narrativas inovadoras em diversos sectores do ensino superior, designadamente em termos de metodologias de "aprendizagem baseada em projecto".

A apropriação social do conhecimento, incluindo a apreciação sistemática de saberes e práticas produzidos e apropriados pelas comunidades em situação de vulnerabilidade, exige um esforço de análise e concepção de estratégias partilhadas de reflexão-ação que podem ser facilitadas por objetos e design de novos sistemas e produtos.

O Design tem evoluído de um modelo de prestação de serviços para um modelo de desenvolvimento estratégico. Os enormes desafios da última década, bem como os desafios que se prefiguram - culturais, históricos, sociais, económicos, mediáticos - convidam o design a entrar em territórios que questionam as suas missões fundamentais de outrora. Competências partilhadas, redes participativas e novas acepções de mais-valia criativa desmontam e reformulam paradigmas tradicionais de autoria, território, património, competência e solidariedade.

No centro destes desafios está uma nova consciência de alteridade e da proveniência e impacto dessa alteridade no mundo de hoje: futuros de incerteza, contextos de crescente vulnerabilidade, reequacionamento de modos de conhecer e produzir as realidades colectivas. Num aparente paradoxo, estes territórios projetivos de incerteza e estas comunidades expostas a vulnerabilidade poderão vir a ser a chave para o emergir de formas mais justas e solidárias de convivência social.

Exige certamente construir e promover saberes partilhados, os quais poderão estimular dinâmicas e instrumentos de "protecção social" daqueles indivíduos e grupos expostos a riscos sociais. Isto leva à necessidade de desenvolvimento de pesquisas sobre politicas publicas orientadas para futuros de incerteza, dando enfâse a lugares de vulnerabilidade.

Áreas de aplicação incluem, entre outras a definir:
i) políticas públicas, conflito e negociação;
ii) representações e práticas sociais do medo, da incerteza e do risco;
iii) saúde e doenças não comunicáveis;
iv) energia e sustentabilidade;
v) usos do espaço público;
vi) memórias e patrimônios em disputa.

Áreas horizontais do saber incluem, entre outras a definir:
i) utilização de tecnologias de informação e comunicação;
ii) governança de riscos;
iii) capacitação de cidadãos;
iv) taxonomia e disseminação.


O Workshop de lançamento: Porto, 30 de Outubro, 2013

Este encontro segue os trilhos das mudanças acima referidas, propondo a efetivação de transferência e apropriação de conhecimento e de capacidades. Propõe-se a exploração do território da pesquisa e aprendizagem projectual no seu potencial de emancipação de expectativas relativas à produção e relação social, cultural e económica.

O workshop incluirá duas partes, designadamente: i) apresentação de artigos e comunicações sobre trabalho realizado em comunidades vulneráveis durante os últimos anos; e ii) discussão de formas de colaboração e identificação de projetos colaborativos, incluindo o intercâmbio de pesquisadores e estudantes, publicações conjuntas e o eventual desenvolvimento de programas específicos de ação.

Os resultados do encontro serão orientados para incluir a edição de um livro e a publicação de um "white paper", com o objectivo de promover e fortalecer uma rede lusófona sobre "Futuros de incerteza, lugares de vulnerabilidade".


Os Promotores: Antecedentes

FUTUREPLACES, MediaLab para a Cidadania, UPTEC Porto, UTAustin-Portugal
futureplaces.org ; uptec.up.pt

Desde 2008, o projecto FUTUREPLACES congrega um universo múltiplo de frentes de investigação e acção em redor do mote "media, criatividade e cidadania". Originalmente concebido como festival internacional de media digitais, no âmbito do programa UTAustin-Portugal, tem vindo a consolidar a sua vocação de contexto continuado para a incubação de projectos emergentes do quotidiano, ou para ele revertendo, nas suas dimensões de capacitação social, cultural, participativa e afectiva de cidadãos. Integra agora parcerias funcionais com o Plano Doutoral em Design (U.Porto/ID+) e uma vasta rede internacional de agentes socio-culturais (ONGs, produtores independentes, centros de investigação e Câmaras Municipais, entre outros)

Principais pesquisadores e docentes envolvidos:
Heitor Alvelos, Outreach Director UTAustin-Portugal halvelos@gmail.com
Fátima São Simão, Directora UPTEC PINC fatimasss@gmail.com
Nuno Martins, Professor IPCA nuno@nunomartins.com
Anselmo Canha, Director Criativo, A Transformadora anselmocanha@gmail.com
Pedro Carvalho de Almeida, Investigador ID+ pca@ua.pt


Laboratórios na Rua, http://www.narua.pt/

O IN+ tem como missão promover atividades de investigação e desenvolvimento e reforçar a capacidade de aplicação de tecnologias e estratégias que promovam a salvaguarda do ambiente, a gestão optimizada de recursos energéticos e o desenvolvimento económico sustentável. Neste contexto, o IN+ desenvolve atividades de investigação multidisciplinares, envolvendo tecnologia, políticas públicas e estratégias empresariais, de forma a promover a análise de problemas complexos de um modo sustentável e socialmente responsável.

A iniciativa "Laboratórios na Rua" do IN+ é um projecto comunitário de intervenção social, incluindo uma plataforma de intervenção social por estudantes e pesquisadores universitários, assim como actividades de acção-invesitgação em contextos urbanos particularmente vulneráveis. Tem ainda por objcetivo mobilizar estudantes e investigadores universitários, estimulando a sua capacidade empreendedora e atitudes de voluntariado, em torno de projectos e iniciativas de valorização social, cultural e/ou empresarial orientados para minorias e comunidades mais vulneráveis em ambientes urbanos.

Principias pesquisadores e docentes envolvidos:
Manuel Heitor, Professor Catedrático, mheitor@ist.utl.pt
Miguel Amaral, Professor Auxiliar, miguel.amaral@ist.utl.pt
Muriel Pádua, pesquisadora doutorada, muriela.padua@ist.utl.pt

LECC-IUPERJ: Laboratório de Estudo da Cidade e da Cultura Instituto Universitário de Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro,
http://www.iuperj.br/

O Laboratório vem desenvolvendo estudos no âmbito da Pós-Graduação em Sociologia do IUPERJ-UCAM – Brasil - sobre processos de constituição de identidades e de diferenciação social que se propagam e se manifestam no âmbito da cultura da Cidade. Assim, a cidade é entendida como instância privilegiada de políticas públicas, produção e negociação de alteridades, de trajetórias e dinâmicas identitárias e de expressões de conflitualidade e disputas de poder e sentido. Os estudos aqui inscritos buscam identificar as relações que são engendradas e se sociabilizam no universo cultural brasileiro, que, ao mesmo tempo rico e formador de identidades e alteridades, mascaram e naturalizam hierarquias e discriminações espaciais, sociais; de classe, gênero e étnicos. Busca-se também abordar teórico e empiricamente os mecanismos atuantes na cultura contemporânea que tanto mitigam e subalternizam identidades, como os que propiciam experiências emancipatórias aos sujeitos sociais. Assim, pensamos a cidade em seu recorte plural, admitindo distintas inscrições de representações, atores e práticas, com especial atenção, aos processos sociais que envolvem, a saber: memória, patrimônio e cidade; religião, espaço público e movimentos sociais; trabalho, grupos marginalizados e políticas de alteridade; políticas de segurança, policiamento e segregação do espaço urbano.

Principais pesquisadores e doentes envolvidos:
Rogério Souza, rogeriosouza@iuperj.br
Jaqueline Muniz, jajamuniz@uol.com.br
Paulo Gracino, paulogracino@iuperj.br,
Simone Vassallo, simonevassallo@iuperj.br


O Nosso Spot

O Projeto O Nosso Spot surge em 2012 no âmbito da parceria estabelecida entre a WACT(ONG) e o Projeto Bola P'ra Frente, com o objectivo central de promover a inclusão social de jovens do Bairro Padre Cruz. A parceria foi criada no âmbito do desenvolvimento da atividade "Oficinas de Estudo", na qual a WACT garantia a prestação do serviço voluntário para a dinamização da ação. No desenvolver desta atividade e apropriação positiva da mesma por um grupo de voluntários, desenvolve-se o projeto de empreendorismo social, "O Nosso Spot".

O presente projeto visa não apenas promover o sucesso escolar de jovens do Bairro Padre Cruz, através da atividade acima referida mas também prestar um apoio individualizado aos participantes através de um sistema de tutoria escolar, reforçado pela mentoria, cujo objetivo consiste em apoiar a construção e realização do projeto de vida dos jovens tutorandos/mentorados. O projecto contempla ainda a realização de actividades não escolares, fora do bairro, que estimulam e motivam os jovens a conhecerem outras realidades e desenvolver novos interesses, ao mesmo tempo que fortalecem o espírito de grupo.

Este projeto pretende desta forma minimizar problemáticas tais como o insucesso escolar, o deficit de competências psicossociais e o isolamento social, através da promoção da igualdade de oportunidades, viabilizando a concretização prática dos seus projectos de vida, tendo em vista contribuir para uma maior inclusão na sociedade. Baseia-se na força das ligações humanas como agentes de mudança.

Cada voluntário tem o seu próprio projeto social individual e focado na realização dos sonhos do seu Tutorando, daí nasce o nosso lema: O Nosso Spot - Um Voluntário, um Jovem, um Projeto.

FAP no Bairro

O projeto FAP no Bairro surge em 2010, após o desafio lançado à FAP – Federação Académica do Porto para a criação de um espaço físico que vincasse a capacidade de intervenção social dos estudantes da academia do Porto. A criação inédita em território nacional de um centro comunitário exclusivamente concebido e coordenado por estudantes tornou-se um objectivo-chave da FAP.

A abertura da FAP no Bairro num bairro social da cidade do Porto (Bairro do Carriçal) tenta ajudar a resolver os problemas sociais das famílias daquela comunidade, através do contributo dos estudantes do ensino superior, que com as suas competências e espírito solidário e humanista trabalham na resolução desses problemas, nomeadamente em grupos de risco como as crianças, os jovens adolescentes, os idosos e as pessoas com graves carências socioeconómicas.

A FAP no Bairro assenta principalmente em atividades de apoio pedagógico às crianças do bairro, com o objetivo de melhorar o seu desempenho escolar e alargar os seus conhecimentos. O projeto tem igualmente o objetivo de promoção cultural, através da criação de um grupo de teatro (Teatro Amador do Carriçal); de promoção do desporto, com a proposta de atividades desportivas e criação de uma equipa de futebol; e de promoção da curiosidade científica, com o desenvolvimento de atividades baseadas nas diferentes áreas de formação dos voluntários. Para além destas atividades, o espaço físico contém uma biblioteca, televisão e computadores para acesso livre por qualquer pessoa.


O Programa do Workshop

O workshop incluirá: i) apresentação de artigos e comunicações sobre trabalho realizado em comunidades vulneráveis durante os últimos anos, a realizar no dia 30 de Outubro; e ii) discussão de formas de colaboração e identificação de projetos colaborativos, incluindo o intercâmbio de pesquisadores e estudantes, publicações conjuntas e o desenvolvimento de programas específicos de ação, a realizar dos dias 31 de Outubro a 1 de Novembro no âmbito do encontro "FuturePlaces".

Workshop: 30 de Outubro

Parte 1: 11h00-13h00, Sala 7

Moderadores:
Manuel Heitor (IN+/IST) e Jean Barroca (Consultor, World Bank)

Breves intervenções iniciais (cerca de 10 min cada):
Carlos Vainer, UFRJ
Conflito, megaeventos e planeamento urbano: reflexões sobre o Plano Popular da Vila Autódromo no Rio de Janeiro
Heitor Alvelos, ID+
FuturePlaces, medialab para a cidadania: auscultação, potenciação, visibilidade
Simone Vassallo, LECC-IUPERJ
Patrimônios e memórias em disputa em área de requalificação urbana no Rio de Janeiro
Francico Miranda, O Nosso Spot
Sobre o combate ao isolamento: a expriência de intervenção no Bairro Padre Cruz em Lisboa
Nuno Martins, ID+
Redes participativas on-line na luta contra o cancro
Muriel Pádua, Farzaneh Eftekhary e João Santos, IN+
Experiencias comunitárias em comunicação do risco de doenças não comunicáveis: o caso dos diabetes e a experiência dos "Laboratórios na Rua"

Debate (45 min)

Parte 2: 14h00-15h30, Sala7

Moderadores:
Heitor Alvelos (ID+) e Jaqueline Muniz, LECC-IUPER

Breves intervenções iniciais (cerca de 10 min cada):
Rogério Souza, LECC-IUPERJ
Empreendedorismo social e grupos subalternos
Anselmo Canha, ID+
Manobras no Porto: dois anos de mediação de cidadania criativa no Centro Histórico do Porto José Madureira Pinto, Instituto de Sociologia, Univ. Do Porto
Intervenção cultural em espaços públicos: breve apontamento sociológico
Pedro Carvalho de Almeida, ID+
Revitalização de marcas tradicionais portuguesas
Fátima São Simão, UPTEC
Quando o buzz sufoca o bizz - uma reflexão sobre as Indústrias Criativas em Portugal
Nuno Nunes, MITI, Universidade da Madeira (a confirmar)
Interfaces e Incertezas: sobre o uso de sistemas de comunicação na difusão conhecimento

Debate (45 min)

Parte 3: 16h00-17h30, Sala 7


Moderadores:
Rogério Souza (LECC-IUPERJ) e Muriel Pádua (IN+)

Breves intervenções iniciais (cerca de 10 min cada):
Jaqueline Muniz, LECC-IUPER
Os fins, meios e modos do programa de pacificação nas favelas do Rio de Janeiro
Virgílio Borges Pereira, Instituto de Sociologia, Univ. Do Porto
Equacionar as implicações sociais dos processos de reabilitação urbana: elementos de reflexão sociológica retirados da análise do caso do Porto
Rúben Alves, FAP no Bairro (Federação Académica do Porto)
Desafios e oportunidades para voluntariado por estudantes universitários: a experiência do movimento "FAP no Bairro" no Porto
Miguel Amaral, IN+
Cidadania, conhecimento e voluntariado: a experiência dos "Laboratórios na Rua"
Paulo Gracino, LECC-IUPERJ
Poder, política e religião em comunidades vulneráveis
Hugo Horta, IN+
Incertezas e práticas na apropriação social do conhecimento

Debate (30 min)